sábado, 28 de abril de 2012

Seminário em Roma na vigília da beatificação



Leigos cristãos
na escola de Giuseppe Toniolo

«O confronto entre as diversidades e um diálogo sincero são factores de crescimento na justiça e na paz. Não devem ser eliminadas as diferenças, ao contrário deve ser intensificado o diálogo». Está contido nestas palavras de saudação enviada pelo cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, aos participantes no seminário sobre a obra de Giuseppe Toniolo, todo o valor do testemunho do fundador das Semanas sociais dos católicos italianos, justamente considerado o precursor do magistério social da Igreja, a partir da Rerum novarum, e da Quadragesimo anno até chegar à Caritas in veritate. Significativo neste sentido o slogan do encontro: «Na escola de Giuseppe Toniolo», promovido nestes dias de vigília da beatificação do grande economista e sociólogo italiano  o rito será celebrado no domingo 29 de Abril, na basílica de São Paulo extramuros  por cinco instituições que de certa forma se inspiram no ensinamento de Toniolo, em colaboração com os Pontifícios Conselhos «Justiça e Paz» e para os Leigos. Tema do seminário: «O compromisso e a contribuição dos leigos na comunidade internacional para um mundo mais justo, mais pacífico e mais humano».

Papa declara José Toniolo beato!


Fidelidade à história
e desejo de Deus

A beatificação de José Toniolo (1845-1918) é um evento de extraordinária importância para o catolicismo italiano; e não só. Um pai de família, um professor universitário, um militante católico elevado às honras dos altares: um caminho iniciado em 1933 nos âmbitos da Federação Universitária Católica Italiana. Portanto, um exemplo da Acção Católica, que em Toniolo indicou o modelo de um leigo efectivamente empenhado na cidade secular, em constante e contínua comunhão com a hierarquia.
Mas Toniolo supera e ultrapassa as pertenças de grupo. Também naquela época o mundo católico era constituído, às vezes dividido, por almas diversas frequentemente em aberta competição, entre a intransigência rígida da Obra dos Congressos de Giovanni Battista Paganuzzi e as impaciências inovadoras dos jovens que mordiam o freio, e em muitos casos, acabavam por desembarcar no murrismo mais exasperado e idealmente à deriva modernista. Consciente dos perigos e dos riscos de ambas as posições, Toniolo fez tudo para promover e animar, na caridade, um diálogo franco e sincero entre as partes, permanecendo indefectivelmente fiel à Igreja e aos seus bispos.
Toniolo quis viver em comunhão com os pastores da Igreja, dos quais com frequência era amigo e colaborar; não para se proteger de possíveis lampejos mas para se movimentar num ambiente vital e na garantia da verdade. Depois, quem sumariamente ler as suas cartas dar-se-á conta da vida intensíssima deste intelectual, deste académico, que não se cansou de atravessar a Itália e a Europa para apoiar a causa católica com todos os meios possíveis. E que à custa de viagens cansativas, inclusive nocturnas, nunca faltava às suas aulas universitárias em Pisa, para não deixar de cumprir os deveres para com o Estado e os estudantes. Toniolo cultivou inúmeras virtudes eminentemente. Mas evitemos de difundir o seu santinho, como as circunstâncias induziriam a fazer, porque a realidade é mais bonita do que a representação hagiográfica que, com os seus clichês, muitas vezes acaba por afastar em vez de aproximar. Quem puder, leia os testemunhos da Positio pisana e dar-se-á conta de quanta humanidade extraordinária é capaz, na concretude da quotidianidade, uma vida totalmente imersa na fé.
E no entanto, a figura de Toniolo foi removida da memória. Os representantes do catolicismo democrático recordaram-no até à geração de Alcide De Gasperi e, imediatamente em seguida, entre os mais jovens, de Amintore Fanfani, que cresceu na Universidade Católica de Agostino Gemelli, que a Toniolo devia boa parte da sua inspiração. Mas depois deles veio o dilúvio do esquecimento, como se a crise do Estado liberal, o fascismo e a guerra mundial tivessem cancelado o perfil de um vulto reduzindo-o a uma imagem esvaecida, mais que ofuscada, sobre um muro gasto pelo tempo. Ao contrário, no professor pisano os católicos italianos agora poderiam redescobrir um exemplo de plena e total participação na história com o olhar além da história.
De facto, Toniolo sempre teve grandes e profundos projectos, confrontou-se com a economia, com a sociedade, com as crises temíveis do seu tempo. Poder-se-ia dizer que nenhum aspecto da convivência humana tenha sido descuidado por ele, começando pela exploração dos trabalhadores, dos menores e das mulheres, ao respeito pelo repouso festivo, dos salários ao crédito, da questão educativa à pesquisa científica. Com os seus esforços para a Sociedade Católica Italiana para os Estudos Científicos, nascida em Como em 1899, procurou criar na Itália algo semelhante ao que os católicos alemães, no difícil clima do Kulturkampf, tinham realizado na Alemanha com a Görres-Gesellschaft (1876). Tentou novamente, entre 1904 e 1909, durante o pontificado de Pio X, com uma associação católica internacional para o progresso das ciências que, nos anos difíceis e abrasadores do modernismo e da sua repressão, acabou por morrer antes de ter nascido. Mas todo o trabalho realizado na convicção de que a verdadeira ciência não pode contradizer a fé e a sua profunda racionalidade não se perdeu porque inspirou padre Gemelli ao dar vida à Universidade Católica.
Não foi a condição particular dos católicos italianos, ainda necessariamente estranhos ao compromisso político, que impulsionou Toniolo para a reflexão sobre a economia e a sociedade. Aliás, foi a convicção de que nenhum problema de natureza social ou política pudesse ser enfrentado sem estudar a sua origem e a matriz ideal e cultural. Contra um pragmatismo de breve alcance, contra um empirismo sem perspectivas, o novo beato ensina-nos que todas as questões estão ligadas pela raiz e reduzem-se à visão que uma sociedade elabora do homem e de Deus; e portanto que sobre aquela fronteira, eminentemente cultural, é preciso combater a batalha.
Certamente, Toniolo foi quem mais fez para libertar a cultura católica italiana do provincianismo, resgatando-a da angústia das ressentidas reivindicações pós-unitárias para a elevar ao diálogo com os movimentos católicos europeus, com os seus pensadores e protagonistas; e ao mesmo tempo, expondo-a aos desafios do confronto com as outras visões do mundo, de matriz liberal e socialista. Contudo, analisando bem, a sua lição não é tanto de conteúdo, embora os desenvolvimentos desastrosos de uma economia separada da ética parecem dar razão singularmente a quem, em Dezembro de 1873, pronunciou o seu «discurso» na universidade de Pádua sobre o tema «Do elemento ético como factor intrínseco das leis económicas».
Com a beatificação de Toniolo os católicos italianos, na comunhão dos santos, não obtém só uma ajuda válida e um protector. Têm a ocasião de redescobrir nele um exemplo e um modelo do qual, nas diferentes circunstâncias históricas, seguir o caminho e, sobretudo, o método: a fidelidade à história e à sociedade, para as transcender. Porque ser fiel a Deus é o único modo para ser verdadeiramente fiel ao homem, que no Pai tem a premissa e a protecção da sua dignidade. Toniolo recorda-nos que o amor e a fidelidade à história e à sociedade, numa palavra, ao homem, são mais verdadeiros e eficazes quanto mais nascerem do desejo de Deus, do qual assumem regra e substância, para não fracassar e se precipitar no seu contrário. Como o século XX, depois da morte de Toniolo, eloquentemente demonstrou.
  Paolo Vian

Por que confessar-me a um padre? O Papa responde.



ROMA, (ACI/EWTN Noticias) .- O Papa Bento XVI respondeu na prisão de Rebibbia em Roma uma série de perguntas dos presidiários. Respondendo à pergunta de um réu que sofre de AIDS sobre a forma em que algumas pessoas se referem a eles, o Santo Padre disse que também há quem fale mal do Papa, porém isso não deve desanimar-nos mas levar-nos a seguir adiante.
Pergunta 5 – absolvição dos pecados
Chamo-me Gianni, da Seção G8. Santidade, foi-me ensinado que o Senhor vê e lê o nosso interior. Pergunto-me porque a absolvição foi delegada aos padres? Se eu a pedisse de joelhos, sozinho, dentro de um quarto, dirigindo-me ao Senhor, me absolveria? Ou seria uma absolvição com um valor diferente? Qual seria a diferença?
Resposta
Sim: é uma grande e verdadeira questão aquela que me coloca. Eu diria duas coisas. A primeira: naturalmente, se vos coloca de joelhos e com verdadeiro amor a Deus reza para que Ele vos perdoe, Ele perdoa. Sempre foi Doutrina da Igreja que, se alguém, com verdadeiro arrependimento, isto é, não somente para evitar as penas e dificuldades, mas por amor ao bem, por amor a Deus, pede perdão, recebe o perdão de Deus. Essa é a primeira parte. Se eu realmente reconheço que fiz o mal e se, em mim, é reavivado o amor pelo bem, a vontade do bem, o arrependimento de não ter respondido a esse amor, e peço a Deus, que é o Bem, o perdão, Ele o dá. Mas há um segundo elemento: o pecado não é somente algo "pessoal", individual, entre mim e Deus; o pecado tem sempre também uma dimensão social, horizontal. Com o meu pecado pessoal, no entanto, ainda que ninguém saiba sobre ele, danifiquei também a comunhão com a Igreja, suja a comunhão com a Igreja, suja a humanidade. E, por isso, essa dimensão! Social, horizontal do pecado, exige que seja absolvido também no nível da comunidade humana, da comunidade da Igreja, quase corporalmente. Então, essa segunda dimensão do pecado, que não é somente contra Deus, mas concerne também a comunidade, exige o sacramento, que é o grande dom em que posso, na confissão, libertar-me disso e posso realmente receber o perdão no sentido também de uma plena readmissão na comunidade da Igreja viva, do Corpo de Cristo. E assim, nesse sentido, a absolvição requerida da parte do sacerdote, o sacramento, não é uma imposição que limita a bondade de Deus, mas, ao contrário, é uma expressão da bondade de Deus, porque me demonstra que também concretamente, na comunhão da Igreja, recebi o perdão e posso recomeçar de novo. Portanto, diria que é preciso manter presentes estas duas dimensões: a vertical, com Deus, e a horizontal, com a comunidade da Igreja e da humanidade. A absolvição do padre, a absolvição sacramental é necessária para, realmente, resolver-me, absolve-me desta prisão do mal e reintegrar-me na vontade de Deus, na óptica de Deus, completamente na sua Igreja, e dar-me a certeza, também quase corpórea, sacramental: Deus me perdoa, recebe-me na comunidade dos seus filhos. Penso que devemos aprender a compreender o sacramento da penitência neste sentido: a possibilidade de encontrar, quase corporalmente, a bondade do Senhor, a certeza da reconciliação.

PORQUÊ A MISSA TRIDENTINA SOFRE TANTA HOSTILIDADE ?



Faz três anos que o Papa Bento XVI emitiu a ordem para que a Missa Tradicional em latim pudesse ser celebrada por qualquer padre em qualquer lugar sem a permissão de um bispo. Sua Santidade, no seu texto do Motu Proprio teve que incluir nele o trecho: “sem a permissão de um bispo”,  porque muitos bispos a estavam embarreirando. Na verdade, o papa João Paulo II tinha emitido sua própria diretriz há cerca de dez anos antes, pedindo gentilmente aos bispos que fossem generosos com os católicos que desejassem participar da missa em latim. Com este texto de João Paulo II, a maioria dos bispos sorriu gentilmente, e educadamente jogou a diretriz no arquivo morto de suas cúrias. Então, Bento XVI, gentil e educadamente os contornou, e deu aos padres a autorização para celebrar a missa sem o consentimento dos bispos. Mas isto levanta uma questão curiosa: porque tantos bispos seriam contrários, aberta ou silenciosamente à Missa Tradicional em latim? Aquela missa esteve presente com pequenas variações desde cerca do século VI. Ela tornou-se a Missa, enquanto rito “oficial” da Igreja no século XVI, no Concílio de Trento. Foi de lá que veio o nome “Missa Tridentina”, do Concílio de Trento. Esta foi a missa que foi modificada após o Concílio Vaticano II. Então, a missa que tem apenas cerca de quarenta anos de idade substituiu a missa que tinha, a grosso modo, mil e quinhentos anos. Milhares de santos participaram da antiga Missa em latim assim como ofereceram a antiga Missa em latim. Ela era tão católica quanto poderia ser. Mas após uma série de mudanças rápidas, tudo ficou para trás, ou pelo menos quase tudo. Para uma Igreja que normalmente demora séculos para decidir praticamente qualquer coisa, a velocidade com que a Missa foi modificada poderia ser comparada à velocidade da luz. Mas um pequenos grupo de pessoas, aqui e ali, pelo mundo católico continuou ligado à antiga Missa tradicional em latim. Finalmente, João Paulo II pediu aos bispos para serem gentis com elas e permitirem que a Missa fosse celebrada em suas próprias dioceses. Os bispos o ignoraram. Então, Bento XVI, como dissemos, os ignorou e permitiu que a Missa fosse celebrada por qualquer padre sem a permissão deles. Então, por que ainda continua a oposição em relação à missa Tridentina? Mesmo onde alguns bispo tinham “permitido” a Missa, ela ocorria quase sempre em uma paróquia caindo aos pedaços, em algum lugar perigoso ou desolado da cidade, em um horário bem ruim, tornando difícil para as famílias se deslocarem até lá por todas as razões já mencionadas. Porque muitos bispos e muitos padres estão demonstrando tanta hostilidade em relação a essa Missa? Bem, deixando de lado acusações de conspirações maçônicas e segredos codificados em alertas vindos do céu parece que a razão é teológica. A Missa Tridentina realmente não dá espaços para muitos abusos. Certamente existiram alguns mas não como vemos hoje em dia. Antes, ela é uma forma muito estrita e disciplinada pelo missal. De fato, era este o ponto. A missa nova, o Novus Ordo, ou a Missa de Paulo VI, como também dizemos, intencionalmente ou não é aberta a abusos gigantescos. E muitos têm se aproveitado destas aberturas: desde bispos liberais que amam a idéia de uma festa liberada dentro da igreja, até padres que vêem nela uma boa forma de promover sua própria versão da fé. A nova missa tem aberturas que permitem que até palhaços ou animais sejam trazidos para dentro da igreja. Eles deveriam estar ali? Não, claro que não! Eles foram trazido para dentro? Oh, sim, pelo pessoal da ornamentação. O problema com a Missa nova não é tanto a Missa, mas a atitude daqueles que a usam para promover seu próprio estilo pessoal de catolicismo. Eles inventam texto, ignoram as disciplinas. Eles fazem a coisa muito mais para si mesmos do que para Deus. Resumindo, muitas vezes, o enfoque da Missa, da Missa nova está no padre, ou nos cantores, ou nos leitores ou no irritante exército de ministros da Eucaristia marchando pela igreja. A propósito, o termo correto é ministros “extraordinários” da Eucaristia o que significa que eles não deveriam estar presentes ordinariamente na Missa. Eles são “extra” ordinários, vê a diferença? Se você tem uma paróquia onde há um rodízio semanal de centenas de milhões de ministros da Eucaristia, então, como eles podem ser  propriamente “extra” ordinários? O resultado final é que, muitos, não todos, mas muitos são mortalmente contra a Missa Tridentina porque se recusaram a dividir o palco com Jesus. Você lembra daquela Pessoa que é Deus, para quem a Missa é oferecida? Nos anos que se seguiram, desde que a missa nova chegou o enfoque foi trocado, de Deus para o homem. A noção de “sacrifício” foi substituída  pela noção secundária de “refeição”. A refeição é importante somente porque é uma participação no sacrifício, não apenas porque é uma refeição. Para ser franco, se fosse só o caso de ser uma refeição, seria bastante modesta. Você teria uma refeição mais generosa ao comer um sanduíche na cantina da igreja depois da missa. E aqui reside o problema: nos quarenta anos desde a missa nova, o ensinamento a respeito do que a Missa é: uma re-presentação do sacrifício do Cristo no calvário para o Pai celestial, o drama da nossa redenção; esta verdade tem sido desprezada, ignorada ou banalizada. E isso dá início a uma espiral descendente até chegar finalmente ao que é visto em muitas paróquias, algo que parece um híbrido católico-protestante. O perigo disso é refletido num frase muito antiga em latim, (em latim, bem a calhar): Lex Orandi, Lex Credendi: a forma como você reza é a forma como você crê. Infelizmente, os últimos quarenta anos provaram a verdade desta frase.

Mudanças introduzidas por Bento XVI nas celebrações litúrgicas


Todos podemos ver as mudanças introduzidas por Bento XVI nas celebrações litúrgicas. Como podemos sintetizar estas mudanças?
Eu penso que estas mudanças podem ser sintetizadas da seguinte maneira: primeiramente, são mudanças feitas de acordo com a lógica do desenvolvimento em continuidade com o passado. Logo, não lidamos com uma ruptura com o passado e com uma justaposição com os pontificados anteriores. Em segundo lugar, as mudanças introduzidas servem para evocar o verdadeiro espírito da liturgia, como o quis o Concílio Vaticano II. ‘O “sujeito” da beleza intrínseca da liturgia é o próprio Cristo, ressuscitado e glorificado no Espírito Santo, que inclui a Igreja em sua obra'”.

Celebrações voltadas para a cruz, a Sagrada Comunhão recebida diretamente na boca e de joelhos, longos momentos de silêncio e meditação – são estas as mudanças litúrgicas mais visíveis introduzidas por Bento XVI. Infelizmente, várias pessoas não entendem o significado teológico e histórico destas mudanças e, o que é pior, só as enxergam como um “retorno ao passado”. O senhor pode explicar brevemente o significado destas mudanças?
Para contar-lhe a verdade, nosso Departamento tem recebido vários testemunhos de fiéis que receberam favoravelmente as mudanças introduzidas pelo Papa, pois eles as vêem como uma autêntica renovação da liturgia. Como significado de tais mudanças, reflitamos brevemente. Celebrar voltado para a cruz sublinha a correta direção da oração litúrgica, isto é, para Deus; durante as orações os fiéis não devem olhar uns para os outros, mas deveriam dirigir os olhos para o Salvador. Distribuir a Hóstia aos fiéis ajoelhados tenciona valorizar o aspecto de adoração tanto como elemento fundamental da celebração como atitude necessária face ao mistério da presença real de Deus na Eucaristia. Durante a celebração, a oração assume várias formas: palavras, cantos, música, gestos e silêncio. Além disso, os momentos de silêncio nos permitem participar de fato no ato de adoração, e mais, suscita no interior todas as outras formas de oração.

"A oração deve ser para nós como que a respiração da alma e da vida"


PAPA BENTO XVIAUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 25 de Abril de 2012


Queridos irmãos e irmãs,
A Igreja, desde o início, se deparou com situações imprevistas, às quais procurou dar resposta à luz da fé, guiada pelo Espírito Santo. Assim, com o crescimento do número dos discípulos, os fiéis de língua grega começaram a queixar-se que as suas viúvas estavam sendo deixadas de lado. Os Apóstolos, embora cientes de que a prioridade da sua missão era o anúncio da Palavra de Deus, todavia não ignoravam a necessidade de dar assistência aos fracos, pobres e indefesos, segundo o mandato de Jesus: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Por isso, foram escolhidos sete homens de boa fama para o serviço da caridade, ao passo que os Apóstolos se dedicariam inteiramente à oração e ao serviço da Palavra. Este exemplo nos ensina que, no meio das atividades de cada dia, não devemos perder de vista a prioridade da nossa relação com Deus na oração. Num mundo acostumado a avaliar tudo segundo os critérios da produtividade e eficiência, é importante lembrar que, sem a oração, a nossa atividade se esvazia, convertendo-se em puro ativismo, que nos deixa insatisfeitos. A oração deve ser para nós como que a respiração da alma e da vida.
* * *
Uma saudação cordial aos diversos grupos de brasileiros e demais peregrinos de língua portuguesa, nomeadamente aos fiéis da Diocese de Serrinha acompanhados do seu Bispo, Dom Ottorino Assolari. No meio dos inúmeros afazeres diários, é justamente na oração, alimentada pela Palavra de Deus, que encontrareis novas luzes para vos guiar em cada momento e situação. E que Deus vos abençoe a vós e vossas famílias

Criada comissão para investigar "VaticanLeaks"



   O Papa Bento XVI autorizou a criação de uma Comissão de Cardeais para investigar formalmente a filtração de documentos Pontifícios nos últimos meses.
    O Vaticano foi vítima de vazamento de alguns documentos cuja origem ainda é desconhecida. Entre as vítimas, Bispos e Cardeais ligados à Cúria Romana. O episódio gerou desconforto entre as autoridades da Santa Sé, já que o principal alvo foi a Secretaria de Estado Vaticana.
    Ao conhecer o conteúdo dos documentos filtrados, o Diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, Padre Federico Lombardi, saiu a desmentir a existência de uma espécie "de Wikileaks" ou "Vatileaks", como o chamam os meios seculares, e denunciou que o objetivo final das filtrações é desacreditar a Igreja Católica.
   O Papa dispôs que a comissão fosse presidida pelo Cardeal espanhol Julián Herranz, Presidente Emérito do Pontifício Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos.

Vaticano divulga compromissos do Papa até junho



O Vaticano divulgou agenda das próximas Celebrações do Papa Bento XVI.
Em abril:
- no dia 29, Bento XVI fará ordenações presbiteriais na Basílica Vaticana, a partir das 9h (horário de Roma
Em maio:
- no dia 13, o Santo Padre seguirá em visita pastoral na Itália nas cidades de Arezzo, La Verna e Sansepolcro;
- no dia 27, Domingo de Pentecostes, preside Santa Missa na Capela Papal a partir das 9h30 (horário de Roma)
Em junho:
- no dia 1º, inicia a visita pastoral a Milão.
- dia 3 de junho, Domingo da Santíssima Trindade, preside a Celebração no contexto do Encontro Mundial das Famílias.
- dia 7, na Basílica de São João de Latrão, em Roma, terá lugar a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, Corpus Christi, com procissão à Basílica de Santa Maria Maior e Bênção Eucarística.
- no dia 29, preside a Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, na Capela Papal da Basílica Vaticana, com imposição do Pálio aos novos Arcebispos metropolitanos.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

CARTA DO SANTO PADRE BENTO XVI AOS BISPOS QUE ACOMPANHA O "MOTU PROPRIO" SUMMORUM PONTIFICUM SOBRE O USO DA LITURGIA ROMANA ANTERIOR À REFORMA REALIZADA EM 1970



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Amados Irmãos no Episcopado,

Com grande confiança e esperança, coloco nas vossas mãos de Pastores o texto duma nova Carta Apostólica «Motu Proprio data» sobre o uso da liturgia romana anterior à reforma realizada em 1970. O documento é fruto de longas reflexões, múltiplas consultas e de oração.

Notícias e juízos elaborados sem suficiente informação criaram não pouca confusão. Há reacções muito divergentes entre si que vão de uma entusiasta aceitação até uma férrea oposição a respeito de um projecto cujo conteúdo na realidade não era conhecido.

Contrapunham-se de forma mais directa a este documento dois temores, dos quais me quero ocupar um pouco mais detalhadamente nesta carta.

Em primeiro lugar, há o temor de que seja aqui afectada a autoridade do Concílio Vaticano II e que uma das suas decisões essenciais – a reforma litúrgica – seja posta em dúvida. Tal receio não tem fundamento. A este respeito, é preciso antes de mais afirmar que o Missal publicado por Paulo VI, e reeditado em duas sucessivas edições por João Paulo II, obviamente é e permanece a Forma normal – a Forma ordinária – da Liturgia Eucarística. A última versão do Missale Romanum, anterior ao Concílio, que foi publicada sob a autoridade do Papa João XXIII em 1962 e utilizada durante o Concílio, poderá, por sua vez, ser usada como Forma extraordinária da Celebração Litúrgica. Não é apropriado falar destas duas versões do Missal Romano como se fossem «dois ritos». Trata-se, antes, de um duplo uso do único e mesmo Rito.

Quanto ao uso do Missal de 1962, como Forma extraordinária da Liturgia da Missa, quero chamar a atenção para o facto de que este Missal nunca foi juridicamente ab-rogado e, consequentemente, em princípio sempre continuou permitido. Na altura da introdução do novo Missal, não pareceu necessário emanar normas próprias para um possível uso do Missal anterior. Supôs-se, provavelmente, que se trataria de poucos casos individuais que seriam resolvidos um a um na sua situação concreta. Bem depressa, porém, se constatou que não poucos continuavam fortemente ligados a este uso do Rito Romano que, desde a infância, se lhes tornara familiar. Isto aconteceu sobretudo em países onde o movimento litúrgico tinha dado a muitas pessoas uma formação litúrgica notável e uma profunda e íntima familiaridade com a Forma anterior da Celebração Litúrgica. Todos sabemos que, no movimento guiado pelo Arcebispo Lefebvre, a fidelidade ao Missal antigo apareceu como um sinal distintivo externo; mas as razões da divisão, que então nascia, encontravam-se a maior profundidade. Muitas pessoas, que aceitavam claramente o carácter vinculante do Concílio Vaticano II e que eram fiéis ao Papa e aos Bispos, desejavam contudo reaver também a forma, que lhes era cara, da sagrada Liturgia; isto sucedeu antes de mais porque, em muitos lugares, se celebrava não se atendo de maneira fiel às prescrições do novo Missal, antes consideravam-se como que autorizados ou até obrigados à criatividade, o que levou frequentemente a deformações da Liturgia no limite do suportável. Falo por experiência, porque também eu vivi aquele período com todas as suas expectativas e confusões. E vi como foram profundamente feridas, pelas deformações arbitrárias da Liturgia, pessoas que estavam totalmente radicadas na fé da Igreja.

CARTA APOSTÓLICA EM FORMA DE MOTU PROPRI



BENTO XVI

«Os sumos pontífices até nossos dias se preocuparam constantemente para que a Igreja de Cristo oferecesse à Divina Majestade um culto digno de “louvor e glória de Seu nome” e “do bem de toda sua Santa Igreja”.

«Desde tempo imemoriável, como também para o futuro, é necessário manter o princípio segundo o qual, “cada Igreja particular deve concordar com a Igreja universal, não só quanto à doutrina da fé e aos sinais sacramentais, mas também em respeito aos usos universalmente aceitos da ininterrupta tradição apostólica, que devem ser observados não só para evitar erros, mas também para transmitir a integridade da fé, para que a lei da oração da Igreja corresponda a sua lei de fé”.» (1)

«Entre os pontífices que tiveram essa preocupação ressalta o nome de São Gregório Magno, que fez todo o possível para que aos novos povos da Europa se transmitisse tanto a fé católica como os tesouros do culto e da cultura acumulados pelos romanos nos séculos precedentes. Ordenou que fosse definida e conservada a forma da sagrada Liturgia, relativa tanto ao Sacrifício da Missa como ao Ofício Divino, no modo em que se celebrava na Urbe. Promoveu com a máxima atenção a difusão dos monges e monjas que, agindo segundo a regra de São Bento, sempre junto ao anuncio do Evangelho exemplificaram com sua vida a saudável máxima da Regra: “Nada se antecipe à obra de Deus” (Cap. 43). Dessa forma a Sagrada Liturgia, celebrada segundo o uso romano, enriqueceu não somente a fé e a piedade, mas também a cultura de muitas populações. Consta efectivamente que a liturgia latina da Igreja em suas várias formas, em todos os séculos da era cristã, impulsionou na vida espiritual a numerosos santos e fortaleceu a tantos povos na virtude da religião e fecundou sua piedade”.»

«Muitos outros pontífices romanos, no transcurso dos séculos, mostraram particular solicitude para que a sagrada Liturgia manifestasse da forma mais eficaz esta tarefa: entre eles se destaca São Pio V, que sustentando por grande zelo pastoral, apos a exortação do Concílio de Trento, renovou todo o culto da Igreja, revisou a edição dos livros litúrgicos emendados e “renovados segundo a norma dos Padres” e os deu em uso a Igreja Latina».

Carta de Bento XVI à Conferência Episcopal Alemã a respeito do “Pro Multis”: “O respeito pela palavra de Jesus é a razão para a formulação da oração”.



Fonte: Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com
Excelência! Venerável, caro senhor Arcebispo!
Durante a sua visita de 15 de março de 2012, o senhor me fez saber que, com relação às palavras “pro multis” no canon da Missa, ainda não existe um consenso entre os bispos de língua alemã. Agora parece existir o perigo de que, com o próximo e esperado lançamento do “Gotteslob” ["Livro de Orações"], alguns locais de língua alemã mantenham a tradução “por todos”, ainda que a Conferência dos Bispos tenha concordado em usar o “por muitos”, como é desejo da Santa Sé. Eu tinha lhe prometido que me pronunciaria por escrito sobre esta séria questão para evitar uma divisão no nosso mais íntimo local de oração. A carta, que eu envio através do senhor aos membros da Conferência Episcopal Alemã, também será enviada aos outros bispos de língua alemã.
Permita-me primeiro dizer algumas palavras acerca da origem do problema. Nos anos 60, quando o Missal Romano foi traduzido para o alemão sob a responsabilidade dos bispos, houve um consenso exegético de que as palavras “muitos” e “muito” encontradas em Is. 53, 11 em diante, era uma expressão hebraica que indicaria a comunidade, o “todos”. A palavra “muitos” na narração de Mateus e de Marcos também foi considerada um semitismo a ser traduzido como “todos”. Isto também tinha relação direta com o texto latino que seria traduzido, em que o “pro multis” nas narrações do Evangelho se referiam a Isaías 53 e deviam, portanto, ser traduzido como “por todos”. Este consenso exegético se esfacelou; ele não mais existe. Na tradução alemã da Sagrada Escritura, a narração da Última Ceia diz: “Este é meu Sangue, o Sangue da Aliança, que é derramado por muitos” (Marcos 14, 24, cf. Mateus 26, 28). Isto indica algo muito importante: a exposição do “pro multis” como “por todos” não foi uma tradução pura, senão uma interpretação que foi e continua sendo razoável, mas já é mais que tradução e interpretação.
Esta mistura de tradução e de interpretação pertence, em retrospecto, aos princípios que, imediatamente após o Concílio, nortearam a tradução dos livros litúrgicos para o vernáculo. Entendeu-se quão longe a Bíblia e os textos litúrgicos estavam ausentes da linguagem e do pensamento do homem moderno, de modo que mesmo traduzidos eles permaneceriam largamente incompreensíveis aos participantes do culto divino. Houve um novo empenho para que os textos sagrados fossem revelados, nas traduções, aos participantes da celebração, mas ainda assim eles permaneceriam alijados de seu mundo, e agora sim seriam ainda mais visíveis nesse alijamento. Sentiam-se não somente justificados, mas mesmo obrigados a misturar a interpretação na tradução para que, desse modo, se encurtasse o caminho para o povo, cujas mentes e corações poderiam ser alcançados através dessas palavras.
Até certo ponto, o princípio de uma substantiva, mas não necessariamente justificada tradução literal dos textos-fontes permanece. Quando eu rezo as orações litúrgicas em várias línguas, noto que éfrequentemente difícil encontrar um meio termo entre as várias traduções e que o texto base subjacente muitas vezes permanece visível somente quando visto de longe. Além disso, somam-se as debilitantes banalizações que são verdadeiras perdas. Por causa disso, através dos anos, ficou cada vez mais claro para mim que o princípio da equivalência estrutural, mas não literal, enquanto regra de tradução, tem seus limites. Seguindo tais raciocínios, a instrução de tradução Liturgiam authenticam, publicada pela Congregação para a Doutrina da Fé no dia 28 de março de 2001, mais uma vez colocou a tradução literal em destaque, mas, é claro, sem impor um único vocabulário. A importante idéia que se encontra na base dessa instrução já se encontra expressa na distinção entre tradução e interpretação, como escrevi acima. Isto é necessário tanto para a Palavra das Escrituras quanto para os textos litúrgicos. Por um lado, a Palavra sagrada deveria, se possível, apresentar-se a si mesma, mesmo com a estranheza e perguntas que ela contém em si; por outro lado, à Igreja foi dada a missão de interpretar, dentro dos limites do nosso entendimento, a Boa Nova que o Senhor quis que recebêssemos. Uma tradução empática também não pode substituir a interpretação: faz parte da estrutura da Revelação que a Palavra de Deus seja lida na comunidade interpretativa da Igreja, que a fidelidade e a compreensão sejam combinadas. A Palavra deve existir como ela mesma, em sua própria forma, ainda que estranha; a interpretação deve ser medida pela fidelidade à própria Palavra, mas, ao mesmo tempo, ser acessível ao ouvido moderno.
Neste contexto, a Santa Sé decidiu que na nova tradução do Missal as palavras “pro multis” devem ser traduzidas enquanto tais e não, ao mesmo tempo, serem interpretadasA simples tradução “por muitos” deve substituir o interpretativo “por todos”. Gostaria de destacar que tanto em Mateus como em Marcos não há artigo, de modo que não é “pelos muitos”, mas “por muitos”. Tendo entendido, como espero, a decisão fundamental sobre a ordenação da tradução e da interpretação, compreendo que isso representeum enorme desafio para todos os que têm a missão de interpretar a Palavra de Deus na IgrejaSendo que, para os fiéis regulares, isso parecerá, quase inevitavelmente, uma ruptura no coração daquilo que é mais sagrado. Perguntarão: Cristo não morreu por todos? A Igreja mudou seu ensinamento? Isso é possível e permitido? Esta é uma reação contra a herança do Concílio? Todos sabemos, pela experiência dos últimos 50 anos, quão profundamente as mudanças nas formas e textos litúrgicos afetam as pessoas; quanto uma mudança num texto tão central afeta as pessoas. Embora este seja o caso, há muito se defendeu que a tradução de “muitos” fosse precedida por uma profunda catequese sobre a diferença entre tradução e interpretação, uma catequese na qual os bispos devem informar seus padres que, por sua vez, devem explicar de forma clara para os fiéis do que se trata a questão. Esta catequese é um pré-requisito básico antes que a nova tradução entre em vigor. Até onde eu saiba, uma tal catequese ainda não foi dada nas localidades de língua alemã. A intenção da minha carta, caros irmãos, é de pedir urgentemente que uma tal catequese seja estabelecida, para que então seja discutida com os padres e seja imediatamente disponibilizada aos fiéis.
Tal catequese deve primeiramente explicar porque, depois do Concílio, a palavra “muitos” foi traduzida por “todos” no Missalpara claramente expressar a universalidade da salvação desejada por e advinda de Jesus. Isso leva à seguinte pergunta: se Jesus morreu por todos, por que as palavras da Última Ceia dizem “por muitos”? Além disso, Jesus, de acordo com Mateus e Marcos, disse “por muitos”, mas de acordo com Lucas e são Paulo, disse “por vós”. Tal fato estreita ainda mais a questão. Mas, a partir daqui, também podemos chegar a uma solução. Os discípulos sabem que a missão de Jesus os transcende e ao grupo dos apóstolos; que Ele veio para reunir todos os filhos de Deus dispersos (conforme Jo 11, 52). Este “por vós” torna a missão de Jesus bastante concreta para os presentes: eles não são algum elemento anônimo de alguma vasta totalidade, mas todos sabem que o Senhor morreu particularmente por mim, por nós. “Por vós” alcança o passado e o futuro; eu fui nomeado muito pessoalmente; nós, que aqui estamos, somos conhecidos [pessoalmente] por Jesus. Nesse sentido, “por vós” não é uma constrição, mas uma especificação que é válida para cada comunidade que celebra a Eucaristia, que une a si mesma ao amor de Cristo. Nas palavras da consagração, o Canon Romano uniu as duas leituras bíblicas e lê: “por vós e por muitos”. Na reforma litúrgica, esta fórmula foi levada a todas as orações.
Mas, novamente: por que “por muitos”? O Senhor não morreu então por todos? O fato de Jesus Cristo, enquanto Filho de Deus encarnado, ser o Homem para todos os homens, o novo Adão, pertence às certezas básicas da nossa fé. Gostaria de lembrá-los de somente três passagens das Escrituras: Deus deu Seu Filho “por todos nós”, Paulo escreve na Carta aos Romanos (Rom, 8, 32). “Um só morreu por todos”, São Paulo diz na Segunda Carta aos Coríntios, sobre a morte de Jesus (1Cor 5, 14). Jesus “Se deu em resgate por todos”, diz a 1ª Carta a Timóteo (1Tim 2, 6). Mas então podemos nos perguntar novamente: quando tudo isso é tão claro, por que então a Oração Eucarística diz “por muitos”? Bem, a Igreja tomou esta formulação da narrativa da instituição do Novo Testamento. Ela assim o faz por respeito à Palavra de Jesus, para permanecer fiel a Ele também na Palavra. O respeito pela palavra de Jesus é a razão para a formulação da oração. Mas então perguntamos: por que o próprio Jesus falou isso? O verdadeiro motivo para isso é que Jesus, dessa forma, Se revelou como o servo de Deus de Is. 53, Se identificou como a forma que a palavra do profeta esperava. Respeito da Igreja pela Palavra de Jesus, fidelidade a Jesus Palavra das Escrituras: nesta dupla fidelidade se encontra a base sólida para a fórmula “por muitos”. É nesta cadeia de reverente fidelidade que encontramos a tradução literal da Palavra das Escrituras.
Como dissemos anteriormente, o “por vós” na tradição Luca-Paulina não constringe, senão especifica, de modo que podemos afirmar que a dialética de “muitos”- “todos” tem seu próprio significado. “Todos” existe num nível ontológico – o ser e a ação de Jesus inclui toda a humanidade, passada, presente e futura. Mas, de fato, na comunidade concreta daqueles que celebram a Eucaristia, isso envolve somente “muitos”. Deste modo, podemos ver um significado triplo no ordenamento de “muitos” e de “todos”. Em primeiro lugar, deveria significar para nós, que podemos sentar à Sua mesa, surpresa, alegria e gratidão pelo fato d’Ele ter nos chamado, de estarmos com Ele e de podermos conhecê-Lo. “Graças ao Senhor, que por misericórdia me chamou à Sua Igreja …”. Em segundo lugar, é também uma responsabilidade. Como o Senhor alcança os outros – “todos” – a Seu próprio modo permanece um mistério. Mas, sem dúvida, é uma responsabilidade ser chamado para Ele e para Sua mesa, de modo que eu possa ouvir: por vós, por mim Ele sofreu. Os muitos carregam a responsabilidade por todos. A comunidade dos muitos deve ser a luz das velas, a cidade nas montanhas, fermento para todos. É um chamado que se aplica a todos pessoalmente. Os muitos, que somos nós, devem conscientemente praticar sua missão em responsabilidade pela totalidade. Finalmente, podemos adicionar um terceiro aspecto. Na sociedade moderna, temos a impressão que estamos longe de ser “muitos”, senão bem poucos – um pequeno número que continuamente diminui. Mas não – nós somos “muitos”: “Depois disso, eis que vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas” nos diz o Apocalipse de João (Ap 7, 9). Somos muitos e representamos todos. Dessa maneira ambas as palavras, “muitos” e “todos” devem ficar juntas e se relacionam entre si na responsabilidade e na promessa.
Excelência, amados irmãos bispos! Com o que escrevi acima, desejei indicar o conteúdo básico da catequese que deve preparar, o quanto antes, padres e leigos, para a nova tradução. Espero que tudo isso possa servir para uma celebração mais profunda da Eucaristia e se torne parte de uma grande missão que se nos desvela no “Ano da Fé”. Espero que esta catequese seja logo apresentada para que se torne parte de uma renovação litúrgica pela qual o Concílio trabalhou desde sua primeira sessão.
Com minhas bênçãos Pascais, permaneço no Senhor,
Benedictus PP XVI

CD em preparação para a Jornada Mundial da Juventude Rio 2013


"JOVENS EM CANÇÃO"



Por Maria Emília Marega
ROMA, sexta-feira, 27 de abril de 2012(ZENIT.org) - Em preparação para a Jornada Mundial da Juventude no Brasil - JMJRio 2013 -, a Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude (CEPJ), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com gravadoras católicas, lança três CDs especiais.
O primeiro CD intitulado “No peito eu levo uma cruz” foi lançado em 2011 para acompanhar a peregrinação da cruz e do ícone de Nossa Senhora pelas dioceses brasileiras.
Neste primeiro trabalho, a canção “Nova Geração", cujo refrão dá nome ao CD, começa com a voz do compositor, Pe Zezinho, em sua primeira gravação, na década de 70. Em seguida, a música continua nas vozes de cantores de várias partes do país, concluindo novamente com a voz do autor, quase 40 anos depois, cantando a frase: “Eu creio na força do jovem que segue o caminho o caminho do Cristo Jesus”. 
Confira o clip desta canção: http://www.youtube.com/watch?v=nW1kze3pSts
Agora, em abril de 2012, foi lançado o segundo CD intitulado “Jovens em Canção”, composto por onze hinos das Jornadas anteriores traduzidos para o português e com novos arranjos. Nos vocais estão grandes nomes da música católica no Brasil.
Além dos hinos, o CD inclui as faixas bônus inéditas Ide ao mundo e Novo amanhã, inspiradas no tema da JMJ RIO 2013: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19).
Para assistir os Clips deste CD acesse:webtvcn.com/meucanal/jovensemcancao
O terceiro já está sendo preparado, tendo como tema a própria JMJ Rio 2013. A gravadora Codumic lançou um grande concurso para selecionar as músicas, os intérpretes e a arte da capa. Quem quiser participar, pode se inscrever no hosite Plataforma CD3. Os trabalhos podem ser enviados até 31 de maio.
Para o Hino oficial da JMJ Rio 2013 foi aberto um concurso em 31 de outubro que encerrou suas inscrições em 3 de março. A avaliação das letras encaminhadas para o Comitê Organizador Local (COL) ficou sob a responsabilidade de uma equipe de dez músicos voluntários. Apenas 20 das 200 letras inscritas serão escolhidas para participar da segunda fase do concurso.
Espera-se que a escolha da letra do Hino oficial da JMJ Rio 2013 seja divulgada até o próximo mês de julho.