domingo, 6 de maio de 2012

A visita do Papa à sede romana da Universidade Católica do Sagrado Coração


Sem amor 

a ciência perde a sua humanidade

Só o amor garante a nobreza e a humanidade da ciência, protegendo-a do risco do relativismo que enfraquece o pensamento e ofusca os valores éticos. Afirmou Bento XVI durante a visita realizada  na manhã de quinta-feria, 3 de Maio, à sede romana da Universidade Católica do Sagrado Coração por ocasião do cinquentenário da fundação da faculdade de medicina e cirurgia da policlínica Agostino Gemelli.
Falando às autoridades políticas, civis e religiosas, ao corpo académico, aos representantes dos recursos humanos, dos estudantes e dos doentes, o Papa recordou os fundamentos culturais e espirituais que estão na base da actividade de estudo e de ensino da Universidade Católica. Destinada a ser «lugar – frisou – no qual a relação educativa é colocada ao serviço da pessoa na construção de uma qualificada competência científica»; lugar onde «a relação de  cura não é profissão, mas missão» e onde «a caridade do bom Samaritano é a primeira cátedra e o rosto do homem que sofre é o próprio Rosto de Cristo».
Missão nobre e comprometedora, que o Pontífice descreveu a partir da afirmação que «a investigação científica e a procura de sentido, mesmo se na específica fisionomia epistemológica e metodológica, jorram de uma única fonte, aquele Logos que preside à obra da criação  e guia a inteligência da história». Compreende-se por isso a necessidade de que «a cultura redescubra o vigor do significado e o dinamismo da transcendência»: numa palavra, «abra com decisão o horizonte do quaerere Deum», a partir da consciência de que «o próprio impulso da pesquisa  científica surge da sede de Deus que habita no coração humano».
Por conseguinte, a fim de restituir à razão a sua dimensão integral, ciência e fé devem recuperar a sua «reciprocidade fecunda» e tornar-se assim as duas «asas» das quais a pesquisa tira impulso e estímulo. Uma tarefa hoje particularmente urgente, sobretudo para evitar que a formação académica se feche à dimensão transcendente e deixe espaço a um horizonte meramente produtivo e utilitarista. Com efeito, a perspectiva da fé «é interior – não sobreposta nem justaposta – à pesquisa talentosa e tenaz do saber».
Neste sentido, a faculdade católica de medicina – recordou Bento XVI na conclusão – está chamada a ser o «lugar onde o humanismo transcendente não é slogan retórico, mas regra vivida da dedicação quotidiana».

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