PORQUÊ A MISSA TRIDENTINA SOFRE TANTA HOSTILIDADE ?
Faz três anos que o Papa Bento XVI emitiu a ordem para que a Missa Tradicional em latim pudesse ser celebrada por qualquer padre em qualquer lugar sem a permissão de um bispo. Sua Santidade, no seu texto do Motu Proprio teve que incluir nele o trecho: “sem a permissão de um bispo”, porque muitos bispos a estavam embarreirando. Na verdade, o papa João Paulo II tinha emitido sua própria diretriz há cerca de dez anos antes, pedindo gentilmente aos bispos que fossem generosos com os católicos que desejassem participar da missa em latim. Com este texto de João Paulo II, a maioria dos bispos sorriu gentilmente, e educadamente jogou a diretriz no arquivo morto de suas cúrias. Então, Bento XVI, gentil e educadamente os contornou, e deu aos padres a autorização para celebrar a missa sem o consentimento dos bispos. Mas isto levanta uma questão curiosa: porque tantos bispos seriam contrários, aberta ou silenciosamente à Missa Tradicional em latim? Aquela missa esteve presente com pequenas variações desde cerca do século VI. Ela tornou-se a Missa, enquanto rito “oficial” da Igreja no século XVI, no Concílio de Trento. Foi de lá que veio o nome “Missa Tridentina”, do Concílio de Trento. Esta foi a missa que foi modificada após o Concílio Vaticano II. Então, a missa que tem apenas cerca de quarenta anos de idade substituiu a missa que tinha, a grosso modo, mil e quinhentos anos. Milhares de santos participaram da antiga Missa em latim assim como ofereceram a antiga Missa em latim. Ela era tão católica quanto poderia ser. Mas após uma série de mudanças rápidas, tudo ficou para trás, ou pelo menos quase tudo. Para uma Igreja que normalmente demora séculos para decidir praticamente qualquer coisa, a velocidade com que a Missa foi modificada poderia ser comparada à velocidade da luz. Mas um pequenos grupo de pessoas, aqui e ali, pelo mundo católico continuou ligado à antiga Missa tradicional em latim. Finalmente, João Paulo II pediu aos bispos para serem gentis com elas e permitirem que a Missa fosse celebrada em suas próprias dioceses. Os bispos o ignoraram. Então, Bento XVI, como dissemos, os ignorou e permitiu que a Missa fosse celebrada por qualquer padre sem a permissão deles. Então, por que ainda continua a oposição em relação à missa Tridentina? Mesmo onde alguns bispo tinham “permitido” a Missa, ela ocorria quase sempre em uma paróquia caindo aos pedaços, em algum lugar perigoso ou desolado da cidade, em um horário bem ruim, tornando difícil para as famílias se deslocarem até lá por todas as razões já mencionadas. Porque muitos bispos e muitos padres estão demonstrando tanta hostilidade em relação a essa Missa? Bem, deixando de lado acusações de conspirações maçônicas e segredos codificados em alertas vindos do céu parece que a razão é teológica. A Missa Tridentina realmente não dá espaços para muitos abusos. Certamente existiram alguns mas não como vemos hoje em dia. Antes, ela é uma forma muito estrita e disciplinada pelo missal. De fato, era este o ponto. A missa nova, o Novus Ordo, ou a Missa de Paulo VI, como também dizemos, intencionalmente ou não é aberta a abusos gigantescos. E muitos têm se aproveitado destas aberturas: desde bispos liberais que amam a idéia de uma festa liberada dentro da igreja, até padres que vêem nela uma boa forma de promover sua própria versão da fé. A nova missa tem aberturas que permitem que até palhaços ou animais sejam trazidos para dentro da igreja. Eles deveriam estar ali? Não, claro que não! Eles foram trazido para dentro? Oh, sim, pelo pessoal da ornamentação. O problema com a Missa nova não é tanto a Missa, mas a atitude daqueles que a usam para promover seu próprio estilo pessoal de catolicismo. Eles inventam texto, ignoram as disciplinas. Eles fazem a coisa muito mais para si mesmos do que para Deus. Resumindo, muitas vezes, o enfoque da Missa, da Missa nova está no padre, ou nos cantores, ou nos leitores ou no irritante exército de ministros da Eucaristia marchando pela igreja. A propósito, o termo correto é ministros “extraordinários” da Eucaristia o que significa que eles não deveriam estar presentes ordinariamente na Missa. Eles são “extra” ordinários, vê a diferença? Se você tem uma paróquia onde há um rodízio semanal de centenas de milhões de ministros da Eucaristia, então, como eles podem ser propriamente “extra” ordinários? O resultado final é que, muitos, não todos, mas muitos são mortalmente contra a Missa Tridentina porque se recusaram a dividir o palco com Jesus. Você lembra daquela Pessoa que é Deus, para quem a Missa é oferecida? Nos anos que se seguiram, desde que a missa nova chegou o enfoque foi trocado, de Deus para o homem. A noção de “sacrifício” foi substituída pela noção secundária de “refeição”. A refeição é importante somente porque é uma participação no sacrifício, não apenas porque é uma refeição. Para ser franco, se fosse só o caso de ser uma refeição, seria bastante modesta. Você teria uma refeição mais generosa ao comer um sanduíche na cantina da igreja depois da missa. E aqui reside o problema: nos quarenta anos desde a missa nova, o ensinamento a respeito do que a Missa é: uma re-presentação do sacrifício do Cristo no calvário para o Pai celestial, o drama da nossa redenção; esta verdade tem sido desprezada, ignorada ou banalizada. E isso dá início a uma espiral descendente até chegar finalmente ao que é visto em muitas paróquias, algo que parece um híbrido católico-protestante. O perigo disso é refletido num frase muito antiga em latim, (em latim, bem a calhar): Lex Orandi, Lex Credendi: a forma como você reza é a forma como você crê. Infelizmente, os últimos quarenta anos provaram a verdade desta frase.
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